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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Crime: ser palmeirense. Pena: a morte

Não faço parte da Mancha Verde. Nunca entrei na quadra desta torcida, nunca desfilei pela escola de samba. Quando eu era mais jovem, fiquei algumas poucas vezes com a Mancha na Arquibancada do antigo Palestra Itália, para incentivar o Palmeiras. Não fiz isso mais que 5 vezes.

Nos últimos tempos, aliás, tenho discordado de muitas das atitudes da maior torcida organizada do Palmeiras. Além disso, sei que tem uma politicagem do tamanho do Palestra Itália por trás dela. Como não sou membro da torcida, entretanto, isto não me incomoda.

Aliás, sei que a MV nunca foi, não é, e nunca será santa. Nenhuma torcida organizada o é. Ponto.

A despeito de tudo isto, uma coisa tem que ser dita:

É um absurdo, a b s u r d o , ABSURDO proibir a entrada da Mancha Verde nos estádios depois do capítulo de Presidente Prudente. Eu não consigo encontrar palavras para expressar a minha indignação. A MV está pagando por todos os erros cometidos por outros agentes que não ela. A saber:

A diretoria do Palmeiras transfere um jogo que deveria ter realizado na capital (Morumbi ou Pacaembu) para uma cidade que fica 600 km distante.

A polícia desta cidade (cuja população representa mais ou menos 4% da população paulistana) é totalmente despreparada para lidar com um evento desta dimensão.

Esta mesma polícia atira para matar em uma massa de homens desarmados. DESARMADOS.

D E S A R M A D O S ! ! ! ! !

E tem mais: lhes omite socorro depois que fere 02 homens.

Assim sendo, quem foi penalizado após este capítulo?

A vítima, é claro.

Ao invés de punir a polícia que não sabe como lidar com gente desarmada, ou a diretoria incompetente, que leva um jogo desta importância para uma cidade que fica quase em outro estado, não: quem está sendo punido é justamente a vítima dos erros cometidos por outros atores, e que nada tinha a ver com isso tudo.

É muita humilhação imposta a uma organização só. É lamentável, e eu duvido que a MV vai aceitar isso calada. Nem uma associação de freiras aceitaria a isso calada.

Não me surpreenderia se a Mancha, a partir deste capítulo, se torne uma organização que se assemelhe realmente a uma guerrilha ou uma sociedade secreta, que age na clandestinidade. Não lhes resta outra opção.

No Brasil, nem estuprador é submetido a uma execução por bala de calibre 12 sem julgamento prévio. Mas palmeirense é.

O Animal