terça-feira, 26 de agosto de 2014

O Palmeiras faz 100 anos

Hoje o Palmeiras faz 100 anos. Neste dia, deixa-se o presente de lado, porque é no passado que se busca aquilo que faz de nós o que somos, aquilo que verdadeiramente traduz o orgulho de torcer para um time que vive desde suas origens de superações, arrancas heroicas e guinadas para a vitória, uma agremiação que insiste em tomar os céticos de surpresa. Este é o Palmeiras, e é neste espelho do que somos que nos miramos neste dia.

Não é somente o fato de ser o maior campeão do Brasil que faz o Palmeiras ser o que é. Também não é apenas por ser o único grande a construir e reconstruir seu estádio sem dinheiro público. Há muito mais que singulariza nossa trajetória. 

Em 1942, quando Getúlio Vargas determinou que nenhum time poderia ostentar o nome dos países do Eixo da Segunda Guerra Mundial, fomos obrigados a mudar de Palestra Itália para Sociedade Esportiva Palmeiras, para que pudéssemos entrar em campo na partida final do Campeonato Paulista contra o São Paulo Futebol Clube. 

Entramos com a bandeira brasileira em punho e vencíamos por 3 a 1 um adversário que fez questão de, às vésperas, dizer que derrotaria o inimigo do país, enquanto visava também nos tomar o estádio, utilizando para isso das mais pelegas acusações. Foi quando, após um pênalti que iniciaria a goleada, o São Paulo fugiu do campo, abandonou a partida de forma épica, como se reconhecesse a impossibilidade de bater de frente com o alviverde imponente. As manchetes dos jornais do dia seguinte estamparam, para furor dos que nos viam como “os inimigos”: Palestra Itália “morreu líder, nasceu campeão”.

Fatos como estes, que nos transformaram de inimigo nacional para “Campeoníssimo”, da perda iminente de nossa casa à sua reconstrução completa, de Palestra Itália para Palmeiras, marcam a nossa história, de um clube que por tantas vezes soube se reinventar, que de vencido, mostrou-se sempre campeão. Não será diferente agora, porque 18 milhões de apaixonados jamais deixarão de vibrar e empurrar este time incessantemente de volta ao topo.

O Palmeiras faz 100 anos. Parabéns meu eterno Palestra Itália, parabéns centenário Palmeiras.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Juntando os cacos: o que fazer agora?

Depois de uma atuação tão catastrófica como a que tivemos em Sport 2 x 1 Palmeiras, é difícil até mesmo encontrar ânimo para analisar o que está acontecendo. Se há algumas rodadas víamos um time que, mesmo perdendo, demonstrava evolução jogo a jogo, nas três últimas partidas temos visto atuações dignas de times rebaixados. Contra o Sport, a mediocridade em campo atingiu o ápice, num verdadeiro caos que se transformou o time em campo. Parecia a criançada jogando contra os adultos no churrasco de final de semana, com todo mundo correndo atrás da bola, mas só os adultos ficando com ela no pé.

Refletindo sobre este cenário tétrico, tiro as seguintes conclusões:

1) Apesar de todo o esforço da imprensa em dizer que o Palmeiras tem um time horrível, discordo veementemente. O time não é bom o suficiente para disputar o G4, mas tenho absoluta certeza de que está longe de ser pior do que Botafogo, Flamengo, Chapecoense, e tantos outros que estão tendo desempenho melhor do que nós;

2) Por pior que um time seja, ficar 10 rodadas sem vencer vai além da falta de técnica ou de tática, é preciso que algo mais esteja desestabilizando o elenco para que nunca se consiga ganhar um jogo, nem mesmo num lance fortuito;

3) A diretoria tem seguramente 95% da parcela de culpa pelo desastre que o ano do centenário se tornou, porque brincou com a sorte ao desmontar constantemente o elenco, desde janeiro até agora. A conversa de que “não existe jogador inegociável” dá arrepios, porque obviamente se nunca baterem o pé para que jogadores importantes fiquem, pelo menos em momentos cruciais como no decorrer da temporada, o resultado é um time desfigurado, incapaz de se manter na primeira divisão, na elite do futebol nacional.

Dito isto, o que pode ser feito? Em primeiro lugar, da parte de Nobre, Brunoro e Osmar, já reconhecemos que não dava para terem feito nada pior. Destruíram o time no ano do centenário, ao invés de fortalecer aquele que veio da segunda divisão. Mas e agora?

Como mencionado, um time não fica 10 rodadas sem vencer só porque é fraco. Visto que este time nem tão fraco assim é, fica nítido que há algo além disso acontecendo. Vemos alguns jogadores se matando em campo para concertar os erros de outros. Não há um ataque do adversário que não termine dentro de nossa área. Há jogadores claramente dando espaços ao adversário, e outros que se esforçam muito para que o jogo não vire goleada! O esquema de Gareca, que desde o início começava a aparecer, some neste desastre que os atletas fazem em campo.

Para não cair, portanto, só há um caminho: Brunoro, Nobre, Osmar e Gareca precisarão sentar juntos na mesa antes do próximo jogo, e analisar os VTs das últimas partidas. É preciso identificar quem está fechado com o grupo e quem não está. Mais ainda, Nobre tem a obrigação de olhar para seus “parceiros” políticos e repensar o caminho que está trilhando. Já vimos o filme atual por vários anos, e o final também sabemos decor.

Ou Nobre mostra pulso agora e toma atitudes para tirar as frutas podres do cesto, ou o time inteiro afundará junto.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Prancheta: Atlético-MG 2 x 1 Palmeiras

Contra o Atlético-MG, fora de casa, perdemos por 2 x 1 e amargamos o oitavo jogo seguido sem vitórias no Brasileirão. Curiosamente, como em diversos jogos anteriores, o Palmeiras não foi presa fácil, e principalmente no primeiro tempo apresentou bom ritmo, com ressalvas basicamente no setor defensivo. A impressão que fica é de que o que falta ao time de Gareca é encontrar o ponto de equilíbrio que permita que o mesmo ritmo seja mantido ao longo de toda a partida. Temos oscilado demais entre momentos de toque de bola rápido e envolvente e de apatia completa, em que ninguém acerta mais nada e ficamos sufocados dentro da grande área.

O jogo começou bom para nós. O toque de bola saía com qualidade, Allione mais uma vez se apresentava bem no ataque, e o meio campo mostrava-se insinuante, tentando sempre jogadas agudas pelas laterais. Já o Galo não via muito bem a cor da bola até a metade do primeiro tempo. Parecia que dessa vez o time iria desencantar. Mas não foi o que aconteceu. Se subíamos bem ao ataque, na defesa muitos espaços apareciam quando o adversário conseguia fazer uma tabela. Não era difícil ficar frente a frente com Fábio, que fez ótima partida. Numa dessas desatenções, Diego Tardelli encontrou um pequeno espaço na entrada da área e colocou no ângulo uma bola indefensável. Foi um castigo amargo.

Na segunda etapa, sem alterações, Gareca mandou o time continuar com a pegada do primeiro tempo. Se o toque de bola e as jogadas de habilidade de Allione e Wesley já não saíam mais com tanta facilidade, as subidas dos laterais eram constantes, até que, em um destes cruzamentos, Henrique conseguiu se esticar nas costas de Pierre e colocar a bola para dentro do gol. Um gol merecido pelo que jogamos no primeiro tempo.

Porém, depois do gol aconteceu o que não poderia. Faltou encontrar aquele equilíbrio entre saber que o empate não era um mau resultado, mas que também havia mais de metade da segunda etapa pela frente, e segurar o jogo na defesa até o final seria pedir para acontecer o pior. Gareca errou, tirou Wesley para colocar Josimar, entregando toda iniciativa de jogo para o Atlético-MG. Foi como se parássemos depois do empate: não atacávamos, não tínhamos mais toque de bola e nem nos defendíamos bem. Diversas vezes a bola ficou pingando perigosamente dentro da área, sem ninguém para cortar. Até que, quase aos 40 minutos, aconteceu o que já era possível prever. Uma bola ficou sobrando no meio da área e Dátolo só teve o trabalho de empurrar para dentro.

O campeonato vai passando e nossa campanha torna-se digna de um time que disputará o rebaixamento. Estamos em 14° lugar com 14 pontos, apenas 1 a mais que o Botafogo, primeiro time do Z-4. Após o empate com o Bahia, ficou a impressão de que qualquer adversário deve nos deixar apreensivos, dentro ou fora de casa. Não pode ser assim! É urgente que se encontre o equilíbrio e que Gareca perceba de uma vez por todas que Leandro e Josimar não podem entrar em campo. Além disso, a volta de Valdívia e a chegada de Cristaldo devem melhorar muito nosso poder de fogo. Para completar, nota-se que o time evolui taticamente, mais oscila demais! Se tudo isso se encaixar, o óbvio acontecerá. Esse time, com a estrutura que o Palmeiras proporciona e a qualidade de seu técnico, não deveria ter dificuldades para ficar ao menos no meião da tabela. Por isso, é preciso manter a tranquilidade e continuar o trabalho, que seguramente a equipe começará a progredir.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Cobertura da coletiva para Palmeiras x Fiorentina: Gareca poupará jogadores e Allione estreia

Nesta quarta-feira, Palmeiras e Fiorentina se enfrentam em partida válida pela Copa Euroamericana. Participei da coletiva de imprensa realizada hoje, em São Paulo, na qual falaram Ricardo Gareca e Marcelo Oliveira, do lado do Palmeiras, e o treinador Montella e o goleiro Neto, da Fiorentina. Apresento aqui, resumidamente, as informações divulgadas sobre o evento e as declarações dadas por Gareca a respeito da escalação do time.

Apesar de acontecer em péssimo momento na temporada, a partida não deixa de ser interessante, principalmente porque, como declarou Paulo Nobre, marcará a abertura das comemorações do centenário do Verdão. Em press release, a organização do evento explicou o formato do torneio:

“O esquema de disputa é um dos diferenciais da Copa Euroamericana: definidos os confrontos, os times se enfrentam em jogo único. Em caso de empate, a decisão vai para as penalidades máximas. A vitória concederá um ponto para o continente que a equipe representar - e não para o time. Ou seja, ao final do torneio o título será concedido ao continente que mais pontuar. Em 2013, a Europa bateu as Américas por 6x2. Para este ano, espera-se uma reação dos representantes americanos.”


Durante a entrevista coletiva, Gareca evitou comentar sobre a situação do Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Pediu que as perguntas dirigissem-se propriamente à partida contra a Fiorentina. O técnico declarou que encarará com seriedade o confronto, que considera histórico para os dois clubes. Entretanto, Gareca disse também que não se pode perder o foco do objetivo principal, que é crescer no Brasileiro. Por isso, reconheceu que a equipe, por vir de um jogo difícil contra o Corinthians, terá de ser escalada com os jogadores menos desgastados fisicamente, para que estejam 100% para atuar na partida do final de semana, contra o Bahia.

É um alívio saber que Gareca, assim como nós, sabe que este jogo, por mais que interesse em termos de marketing e do intercâmbio futebolístico, não deve de forma alguma ganhar ares de prioridade. O momento ruim no campeonato nacional exige, além dos aclamados reforços, treinamentos para tentar melhorar com urgência a organização do time. Neste sentido, a partida é muito negativa, pois tomará ao menos um dia de treinos, em uma semana que poderia ser dedicada inteiramente à recuperação de atletas e trabalhos táticos. Felizmente isso também não passou despercebido para Gareca, que já avisou que aproveitará o evento para testar jogadores, indicando inclusive que esta será uma grande oportunidade para a torcida conhecer o futebol de Allione.

Espera-se um grande jogo, mas, ainda bem, poupando nossos titulares para o que verdadeiramente interessa, a recuperação no Campeonato Brasileiro.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Prancheta: Corinthians 2 x 0 Palmeiras

No primeiro derby do Estádio Isentão, fomos derrotados por 2 x 0, sem margem para questionamento algum sobre a justiça do placar. Desta vez nem no segundo tempo jogamos bem, o time ficou recuado durante 90 minutos, teoricamente à espera de um contra-ataque que nunca aconteceu. O adversário, em compensação, em poucos momentos ofereceu espaços, sufocou a saída desde o goleiro Fábio. Sem nenhum jogador mais talentoso para colocar a bola debaixo do braço e organizar o jogo, fomos presa fácil, conhecemos a sexta partida seguida sem vitória neste Brasileirão, e já olhamos muito mais para a parte inferior da tabela do que para o G4.

Os números da partida não ilustram exatamente o que se viu em campo. O Palmeiras incrivelmente teve mais posse de bola (52,8%), mas não sabia exatamente o que fazer com ela. Tivemos ainda 87% de aproveitamento nos passes e 24 dribles aplicados (contra somente 13 do adversário). Porém, as estatísticas se explicam quando olhamos para as finalizações. Enquanto o Corinthians chutou 14 vezes, 9 em direção ao gol, chutamos apenas 7, e somente uma poderia ter se convertido em gol, caso Cássio deixasse passar. Número esdrúxulo, que evidencia que toda a posse de bola, dribles e aproveitamento nos passes aconteceu, na realidade, do meio de campo para trás. Ou seja, no derby, o Palmeiras foi inofensivo.

É surreal que tentem pressionar Gareca pelos resultados ruins em suas três primeiras partidas no Campeonato Brasileiro. Nenhum técnico é contratado para fazer milagres, mas para organizar em campo os jogadores que a diretoria dá a ele. As perguntas da imprensa na coletiva após o jogo, entorno do que Gareca pensa de seu futuro no Palmeiras, são de uma falta de escrúpulos vergonhosa, pois todos conhecem os verdadeiros responsáveis pela fragilidade técnica do time. Nobre e Brunoro estão realizando um desmanche no elenco enquanto a bola está rolando e lutamos contra as adversidades para tentar encontrar um caminho.

Estamos perdendo um jogador atrás do outro, sem nenhuma preocupação se o elenco está ficando capenga. William Matheus, que começava a ter chances como titular só agora, e Juninho, seu reserva, saíram sem que a diretoria congitasse pensar que isso prejudicaria o time. Ficamos apenas com uma aposta da base na lateral esquerda, enquanto na direita, desde janeiro jogamos com um volante improvisado! Valdívia saiu, a bagunça e falta de criatividade no meio campo reinam, sendo denunciada até mesmo por Wesley após a partida contra o Cruzeiro. Henrique é o único centroavante, que veio também como uma aposta, e ninguém está com pressa para trazer alguém para vestir dignamente a 9 e ser titular.

O que quer um time que encara assim, em ritmo de treino, o principal torneio do ano? Acham que o Palmeiras não tem nenhuma obrigação de jogar um bom futebol, ou pensam que rebaixamento não é coisa com que, infelizmente, temos que nos preocupar?

E no meio de toda a bagunça que se tornou 2014, temos um semi-amistoso contra a Fiorentina, na quarta-feira. O time italiano, ainda em pré-temporada, não tem nada com isso, o problema é só do Palmeiras, que brinca com fogo, porque ao invés de aproveitar a semana cheia para treinar mais a equipe, recuperar jogadores e tentar corrigir alguma coisa (na medida do possível), Gareca terá que levar sabe-se lá que time a campo na quarta-feira. Sinceramente, melhor que Gareca não tenha pudores e escale de uma vez a equipe sub-20. Quem sabe pelo menos assim o jogo não serve para descobrir mais um ou dois jogadores que diminuam um pouco a fragilidade técnica do time titular.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Prancheta: Avaí 0 x 2 Palmeiras

Após mais um primeiro tempo muito instável, o Palmeiras conseguiu sair com um excelente resultado no Estádio da Ressacada, em Santa Catarina. Poupando mais da metade do time titular, vencemos por 2 x 0 o Avaí, na partida de ida da Copa do Brasil. Gareca novamente teve que arrumar a equipe no vestiário, fazendo com que na segunda etapa, a exemplo do que aconteceu contra o Cruzeiro, o Palmeiras não deixasse o adversário ver a cor da bola. Agora podemos perder por até dois gols de diferença na partida de volta, no Pacaembu, que avançamos na competição.

A primeira etapa foi marcada pela displicência e falta de qualidade no toque de bola. O time se movimentava pouco, facilitando a marcação do Avaí. Ao mesmo tempo, jogadores que deveriam colocar a bola no chão pelo meio, como Wesley e Josimar, insistiam em tentar lançamentos longos. O resultado foi que na partida o Palmeiras fez 41 lançamentos, mas teve apenas 40% de aproveitamento.

Gareca, ainda no início da segunda etapa, percebeu a inoperância de Leandro, que desde a volta da Copa do Mundo não fez nem 10 minutos de bom jogo. Colocou Bruno César em seu lugar, e com isso a troca de passes pelo meio ficou mais rápida e os espaços na defesa do Avaí, inexistentes na primeira etapa, apareceram. Felipe Menezes, que já vinha fazendo uma boa partida, marcou um golaço quando o Palmeiras começava a crescer em campo. Recebeu na meia cancha, conduziu a bola, limpou dois marcadores e bateu com perfeição no ângulo direito do goleiro Renan. Já tínhamos visto Felipe Menezes marcar um golaço desses em treinos, finalmente desencantou para valer! Mas para completar a noite, poucos minutos depois Felipe Menezes marcou o segundo, aproveitando grande enfiada de bola de Josimar (que fazia partida péssima na proteção da zaga) e colocou no canto esquerdo, mais uma vez indefensável para o goleiro. Jogando dessa forma Felipe Menezes vira uma grata opção para o meio de campo palmeirense.

A vitória foi importante não só porque dá muita tranquilidade para classificação no jogo de volta, mas por também colocar fim na pressão injustificável que a imprensa começava a colocar sobre Gareca. O time vem numa crescente taticamente. A compactação na marcação e saída de bola melhora a cada partida. Até mesmo hoje, quando esperava-se uma equipe muito desentrosada (visto que 9 jogadores usualmente relacionados foram poupados ou estavam lesionados), a partir de certo momento a bola começou a fluir de pé em pé. Porém, tecnicamente, continuamos dependendo de reforços. Jogadores conhecidamente “limitados”, como Josimar e Weldinho, quase comprometeram a partida com erros de passes perigosíssimos e inaceitáveis.

De toda forma, hoje importa mesmo que vencemos, poupamos boa parte do time titular, e ainda ganhamos uma injeção de moral necessária antes do jogo de domingo! Uma vitória no primeiro clássico do Estádio Isentão fecharia com chave de ouro esta semana.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Mais reforços e um pouco sobre Agustin Allione

Pouco a pouco, antes tarde do que mais tarde, o elenco está sendo reforçado. Há urgência neste momento, visto que ninguém sai ileso da perda dos dois principais jogadores da equipe (Valdívia e Kardec), no meio da temporada e sem que ninguém venha suprir suas vagas. Os últimos resultados em campo estão diretamente ligados à falta de peças de qualidade nestes setores. Infelizmente, os reforços trazidos até o momento não preenchem as lacunas, porque nem ao menos jogam na mesma posição. De qualquer forma, o plantel era tão limitado, que mesmo nos setores em que já havia atletas, a vinda de jogadores qualificados é mais do que bem-vinda.

A cada dia mais sul-americano, o time pode começar a encorpar. Nas últimas semanas chegaram o zagueiro Tobio e o atacante Mouche, bons jogadores, e as últimas informações dão conta de que outro argentino já está acertado. Trata-se do jovem e polivalente volante, Agustin Allione, que deve se apresentar na próxima quinta-feira para realização dos exames médicos e assinatura do contrato.

O jornalista argentino Joan Bazquez, do Olé, assim definiu Allione:

“A principal característica do Allione é a velocidade, porque ele é muito ligeiro pelos lados do campo. Joga tanto pela direita quanto pela esquerda e fez uma pré-temporada muito boa com o Vélez no meio do ano, com belas atuações nos amistosos. Pelo estilo de jogo, tem muita técnica e condição de realizar cruzamentos, e costuma fazê-los com qualidade. É promissor. No Vélez é conhecido como o novo Augusto Fernández (meia que esteve na Copa do Mundo com a vice-campeã Argentina). Teve a primeira oportunidade de jogar no time principal com Gareca, que sempre gostou dele e o incluía nas suas opções. Por outro lado, a principal carência é a parte física, a falta de corpulência. A equipe não pode contar com ele em jogadas aéreas. Fora de campo, tem perfil muito tranquilo, não se expõe, mas sempre disposto a ajudar”.

No vídeo abaixo você pode conferir os melhores momentos de Allione.



Por cerca de 6 milhões de reais, trata-se de uma aposta muito válida, ainda que em uma das posições mais recheadas do elenco. Se sua vinda não estiver ligada a uma reposição antecipada de Wesley, que com altos salários é constantemente especulado para venda, pode formar com este atleta uma grande dupla de volantes ofensivos no meio campo palmeirense.

Como se sabe, Gareca (como grande parte dos treinadores argentinos) gosta de escalar o time com um losango no meio, atuando com um volante de contenção, dois que sobem pelos lados e um meia armador mais adiantado. Este losango teria Renato como primeiro volante, e Wesley e Allione na saída de bola. A lacuna da camisa 10 seria o X da questão neste esquema promissor. Bruno César não possui características de armador, mas acredito que tem que ter um lugar nesse time, talvez até mesmo ao lado do centroavante. Chuta muito bem e, com uma sequência de jogos, deve voltar a ter velocidade e qualidade nos passes curtos. Merece crédito com Gareca.

Após a saída de Valdívia, a bola da vez para vestir a 10 é o meia argentino, Maxi Moralez, atualmente no atalanta (ITA). Já para camisa 9, Lucas Pratto, do Velez, ou Facundo Ferreyra, do Shaktar Donetsky (UCR) são especulados, mas o ritmo em que as negociações estão andando para as duas posições mais carentes do elenco chega a ser desesperador.

Este é o momento em que dirigentes comprometidos com o desempenho do time têm que chamar a responsabilidade, colocar a faca entre os dentes e ir de forma mais agressiva ao mercado. Ainda dá para salvar esta temporada, basta preencher com qualidade as lacunas que todos conhecemos. O esquema tático de Gareca está ganhando forma e mesmo sem vitórias é elogiado até na grande mídia. Só precisa desse empurrão. Agora é com você, Nobre!