segunda-feira, 27 de abril de 2015

O Dilema do 1 x 0: armar a retranca ou partir para o ataque?

Na saída do jogo o clima era levemente melancólico. Vencer a primeira partida da final do Paulistão por 1 x 0, jogando no Allianz Parque, nos deu a vantagem do empate, mas a perda de um pênalti e a ineficiência tendo um jogador a mais por quase todo o segundo tempo deixou um gosto amargo na vitória. Para alguns, parecia que nem sequer havíamos vencido. Tudo porque, em mata-mata, o placar de 1 x 0 traz consigo um velho dilema: vale mais se agarrar a essa vantagem e segurar o jogo, ou ir pra cima sem considerar o placar já favorável e resolver a fatura de uma vez?

Consideremos antes de mais nada que melhor uma vantagem mínima do que vantagem nenhuma. O palmeirense que nesta segunda-feira continua remoendo o que poderia ter sido está definitivamente vendo o copo meio vazio. 

Além disso, enquanto a equipe quis jogar, nos 45 minutos iniciais, o Santos mal viu a cor da bola. Saímos para o intervalo com um jogo que estava na mão, e estaria mais ainda, não fosse a péssima arbitragem, que deixou de marcar penalidade claríssima em Leandro Pereira.

Já o dilema persiste, porque não tem resposta pronta, a solução depende da consideração do contexto. Oswaldo deve estar desde ontem pensando: temos time para tentar encurralar o Santos em sua casa, praticamente liquidando a decisão se acharmos um gol? Temos, e já fizemos isso em diversas partidas no campeonato. Contra São Paulo, Corinthians e o próprio Santos, nos minutos iniciais da partida. Mas vale a pena correr tanto risco, se expondo tendo 1 x 0 a nosso favor no placar? Talvez não.

O ponto é que chegamos à final como a zaga menos vazada da competição e temos um ataque muito rápido, principalmente com Robinho puxando os contra-ataques no lugar de Arouca, machucado. 

Além disso, é preciso pensarmos que o tipo de jogo proposto por nosso adversário beneficia-se justamente da exploração dos contra-ataques. Nos demos muito bem neste sentido com a ausência do Robinho deles, principal responsável por estas jogadas. Nos nossos domínios, não havia escolha, tínhamos que ir para cima, e este desfalque nos ajudou muito a fazer isto com tranquilidade. 

Lá na Vila, temos que usar esta vantagem a nosso favor, deixando toda a pressão para eles. Armemos o contra-ataque, e deixem que eles tentem se lançar com tudo para cima. Com jogadores leves como Dudu, Robinho, Cleiton Xavier, Valdívia e Kelvin tendo espaço, a partida pode se desenhar de maneira bem favorável, para dizer o mínimo.

Dá-lhe Porco, rumo a mais uma taça!

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O Palmeiras de 2015: um time de personalidade

O palmeirense não tem dúvidas, se 2014 foi o ano da vergonha, 2015 começou de forma maravilhosamente oposta. Nos desfizemos de tudo que lembrava as temporadas de fracasso, trouxemos a bola da vez, Alexandre Mattos, que de cara virou o time do avesso, contratou quase dois times completos, com opções em praticamente todas as posições. Depois de anos de amargura, fomos ousados no mercado. Com a faca entre os dentes, trouxemos Dudu, Arouca e Zé Roberto.

Mas a realidade de um time se revela de verdade dentro do campo. Mais que isso, se mostra nos jogos decisivos e nos clássicos, que é “onde os fracos não tem vez”. Vemos depois de tantos anos, algo que todas as equipes buscam, mas é sempre complexo conseguir: um time de personalidade. Jogadores que não se intimidam em momento algum, sejam quais forem as condições. Jogando com time desfalcado, na casa do adversário, no Derby ou no Choque-Rei. Nada dá mais gosto ao torcedor do que ver um time que chega atropelando, na habilidade e na força, com garra e precisão. 

E é isso que tem feito o palmeirense, mais do que nunca, abraçar o time, não importa o adversário, não importa o que aconteça. Perdendo ou ganhando, estamos com os caras, porque dessa vez, ah, dessa vez eles nos representam!

E nesse domingo, com casa lotada, o clima é de mais um jogo épico, como o da semana passada. E a cada dia mais, cresce a confiança e a certeza de que a magia não será quebrada. De que somos cada vez mais fortes. De que será uma guerra, mas sairemos vencedores!

Avanti Palestra, rumo ao primeiro caneco em nossa retomada do caminho das glórias!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Dando o braço a torcer

Após avaliar que o esquema tático que Oswaldo de Oliveira tentava implementar havia fracassado, preferi aguardar após a partidaça no clássico contra o São Paulo, antes de dar o braço a torcer. No jogo seguinte, contra o Red Bull, mostrou-se positiva a prudência diante da iminente empolgação. Agora, a uma partida de entrarmos no mata-mata do Campeonato Paulista, o time voltou a jogar um belíssimo futebol, e finalmente venho dar o braço a torcer. Mas com ressalvas.

É evidente que a equipe parece ter enfim incorporado o estilo de jogo almejado pelo treinador. A linha de três jogadores no meio campo (Dudu, Robinho e Rafael Marques) começa a se mostrar eficaz. A troca de passes é rápida, com intensa movimentação de todos, e o contra-ataque se tornou nitidamente a principal arma deste time.

A ressalva fica por conta das oscilações. A equipe não pode voar em uma partida, e na seguinte não dar sequer sinais de que são os mesmos jogadores que estão em campo. Uma vez entendido o esquema tático, é preciso adquirir regularidade, o que, logicamente, só virá com o tempo.

De qualquer forma, já é preciso reconhecer que este Palmeiras, quando joga tudo que pode, dá gosto de ver!

segunda-feira, 23 de março de 2015

Oswaldo, o esquema tático não vingou

Que o Campeonato Paulista é composto por uma sequência de amistosos de luxo em sua primeira fase, não há dúvidas. À exceção dos clássicos, via de regra os adversários são tão frágeis que torna-se tarefa árdua encontrar referências que indiquem os pontos realmente fortes de uma equipe. É difícil saber se a facilidade que um time apresenta para se infiltrar na área adversária se deve mais à eficiência de seu esquema ofensivo, ou à fragilidade defensiva de todos os oponentes.

Todavia, o mesmo não se aplica aos pontos negativos. Se um time demonstra dificuldades na criação de jogadas em partidas contra times como o São Bernardo, que exigem tão pouco de seus adversários, algo está realmente mau neste setor. Este é o problema que o time de Oswaldo de Oliveira tem sistematicamente apresentado. No início do ano isto era totalmente compreensível, dada a necessidade de entrosamento dos jogadores e de tempo para implementação do esquema de jogo almejado pelo novo técnico. Mas se nesta altura o Palmeiras não precisava estar voando, era de se esperar ao menos uma evolução, o que não aconteceu.

Ainda na terceira rodada, no clássico contra o Corinthians, tivemos muita posse de bola, um jogador a mais em campo, e não conseguimos criar lances agudos. Entendeu-se que a diferença de desempenho entre as equipes residia no tempo de trabalho de cada treinador. Entretanto, contra times mais fracos o Palmeiras, apesar de estar vencendo, não empolga. Os gols acontecem essencialmente em lances de bola parada ou rebotes da defesa adversária. A movimentação dos atacantes e meias não consegue envolver os zagueiros, nem abre opções de passes para o arremate a gol.

Isto preocupa, e não é algo que permita esperar que a entrada de Cleiton Xavier vá mudar completamente, parece ser muita coisa para um jogador solucionar sozinho. A falha está no esquema tático, não nas peças. A formação escolhida pelo treinador precisa condizer com as características do time que ele tem em mãos, para dar a chamada “liga”. Faltando somente mais quatro rodadas até o final desta primeira fase do campeonato – ou melhor seria dizer “a quatro rodadas do começar o ano para valer” - não há ainda sinais dessa liga.

Oswaldo de Oliveira imaginou, com razão, que uma formação no 4-2-3-1 seria interessante tendo um elenco sem nenhum centroavante clássico, mas recheado de atacantes rápidos. Seria um time muito ofensivo, com dois pontas de lança (Dudu de um lado, e do outro Rafael Marques, Allione, Mouche, Leandro e Alan Patrick brigando por uma vaga), um meia armador no centro (Valdívia, Cleiton Xavier ou Robinho), e na frente um centroavante de movimentação, o tal do “falso 9”, tendo como opções Gabriel Jesus, Leandro Pereira e Cristaldo.

Na teoria a proposta era válida. Oswaldo imaginou que seria um time de mais intensidade do que de criatividade, pressionando o adversário na saída de bola e com muitas opções de chegada dentro da área. Entretanto, este cenário não se concretizou, seja porque os atacantes não entenderam a proposta, ou porque simplesmente não possuem as características imaginadas pelo treinador.

Diante disto, o que se espera de Oswaldo é a percepção de que é preciso aproveitar esta longa “pré-temporada” e testar outras propostas, que podem de forma mais rápida dar liga. Por exemplo, porque não utilizar uma formação clássica, 4-4-2 ou 4-2-2-2, apostando mais na troca de passes envolvente no meio do que na intensidade ofensiva, que este time não vem conseguindo desempenhar? Teríamos neste modelo uma saída de bola redonda, com Gabriel e Arouca, e seria possível escalar dois meias criativos, como Robinho e Cleiton Xavier, o que em tese faria a bola chegar com mais qualidade até os atacantes, colocando-os na cara do gol ou precisando apenas limpar um defensor para fazer o arremate.

Ainda é cedo para cobrar que um time inteiramente reformulado em janeiro apresente entrosamento e maturidade, mas já estamos passando daquele ponto em que ao menos um esquema tático com potencial de se desenvolver ao longo do ano deveria estar claro. Os resultados até aqui atestam que o caminho não é este, é preciso aproveitar que ainda há tempo para experimentar outras possibilidades.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A bizarra política de precificação dos ingressos - como chegamos aos 350 reais?

Não é de hoje que chama atenção a precificação dos ingressos de jogos de futebol no Brasil. Encontrar a lógica na escolha de quanto custará cada setor do estádio é quase impossível. Os preços, extremamente voláteis, flutuam, mas não seguindo regras de oferta e demanda. Os valores parecem ser chutados ao gosto do patrão, e o que menos parece importar é ter o estádio cheio e, por consequência, ter também uma alta renda de bilheteria constante.

Fato é que fui impelido a voltar a escrever depois de um longo período longe do blog, porque vejo beirar a insanidade um clube vender ingressos a 350 reais nas laterais do campo em qualquer jogo. Mas ver isto sendo cobrado em pleno Campeonato Paulista, para jogos como Palmeiras x Audax chega a ser surreal. Para piorar, a partir de agora o ingresso mais barato, na meia entrada, sai por 50 reais.

Isto é uma estratégia para que? Dizer que é para impulsionar o Avanti é manter a falácia, pois o setor Gol Norte, que tem 100% de desconto no plano de 69 reais é minúsculo para a demanda, e poucos serão capazes de arcar com o custo de 140 reais por mês para ter 100% de desconto no anel superior.

O Palmeiras, como todos os times brasileiros com novas arenas, é mais um que está optando por manter as cadeiras das laterais, que são o setor de maior evidência do estádio, vazias, porque acredita que arquibancada funciona como uma “pista premium” de um show. Você paga o triplo ou o quádruplo do valor do ingresso normal, porque tem a regalia de estar perto do palco/campo. Acontece que qualquer um que vai ao estádio sabe que um jogo de futebol não é um show, porque o melhor no futebol não é ter UMA oportunidade de estar perto do palco, mas sim poder estar lá no máximo de jogos que puder, empurrando o time o ano todo.

Na prática estes preços já se mostraram um fracasso completo, a ponto de até mesmo a final da Copa do Brasil do ano passado, num clássico regional entre Cruzeiro x Atlético-MG, ficar com estes setores quase vazios! Que me desculpem os pseudo-marketeiros que tem pensado a política de preços dos estádios, mas qualquer um com 2 de QI já percebeu que se este ingresso custasse 10% a 20% a mais que o ingresso mais barato, teríamos casa cheia e renda muito maior em todos os jogos. Em poucas palavras, trata-se de uma precificação suicida, que extermina o melhor setor do estádio, na esperança de que algum dia o torcedor deixe de perceber quão absurdo é pagar 400% a mais para ficar naqueles lugares.

No caso do Palmeiras, a torcida está sedenta por ir ao estádio, e com ingressos partindo de 15 reais, indo a um teto de 60 reais, teríamos estádio lotado o ano inteiro, e a renda seria a mesma que temos hoje, com as laterais, que correspondem a carca de 15 mil lugares, vazias.

Paulo Nobre, você quer a torcida jogando junto? Então não trate o torcedor como se o salário mínimo tivesse subido para 2 mil reais, não tente bater recordes de arrecadação às custas do abandono do torcedor. Casa cheia, com lucro de 1,5 milhão de reais por jogo vale muito mais do que casa pela metade com o mesmo lucro. Pense nisso.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A demissão de Gareca: mais do mesmo

A demissão de Ricardo Gareca, após apenas 13 jogos e 8 derrotas, é o chute definitivo em qualquer resquício de planejamento que ainda restasse à gestão de Paulo Nobre. Fui tomado de surpresa pelo anúncio, pois todas as declarações levavam a crer que seria feito o mais sensato: chamar Gareca para uma conversa para discutir os métodos utilizados, que obviamente não estavam funcionando.

O técnico admitiu ter dificuldades para armar uma equipe mais recuada, afirmando não ser este seu estilo. Desde o início, Gareca quis fazer o Palmeiras encarar de peito aberto qualquer adversário, atitude corajosa e que merece ser reconhecida, mas certamente também muito ingênua e pouco prudente. Não temos elenco e nem estamos em situação confortável o bastante para correr o risco que corríamos nos expondo tanto a adversários em geral superiores tecnicamente. É preciso saber reconhecer que para tudo há momentos, e o momento atual era de jogar recuado, esperando uma oportunidade para levar alguns pontinhos para casa.

Seja como for, voltamos à estaca zero. Como o próprio presidente palmeirense reconheceu na coletiva de imprensa, no longo prazo o currículo de Gareca mostra que os resultados viriam. Mas o planejamento foi mais uma vez vencido pelo desespero, a conversa foi deixada de lado, rasgando-se mais um contrato, e o próximo treinador deverá ser mais do mesmo que estamos acostumados a ver.

Provavelmente não cairemos, pois o que precisamos agora é apenas de uma dose de pragmatismo, suficiente para somar alguns pontos e ficar no meio da tabela. Mas para ir mais longe nas próximas temporadas, será preciso algo mais do que qualquer treinador que vejo hoje à disposição pode oferecer.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Que parcela de culpa tem Gareca?

Após mais um revés no Brasileiro, na derrota por 1 x 0 para o Internacional no Pacaembu, a situação na tabela continua delicada. Temos os mesmos 17 pontos do Criciúma, mas nos critérios de desempate nos mantivemos mais uma rodada fora do Z4. A derrota em si não deve gerar nenhuma frustração maior do que aquela já vivida ao longo de todo o ano de 2014. Ficou evidente que nossa luta neste ano é, de fato, para não cair. Sendo assim, uma derrota em casa, com time desfalcado, para o Internacional, que briga no G4, não chega a surpreender. Torcíamos apenas por um daqueles acasos que o futebol pode proporcionar. Frustrante, na realidade, é a demora para o time começar uma reação.

Antes de qualquer análise da bola rolando, é preciso dizer: que diferença faz vender ingressos a preços mais palatáveis! Tivemos casa cheia, mais de 30 mil torcedores apoiando, enquanto nas contas dos pseudo-profissionais que acreditam que preço alto de ingresso aumenta a arrecadação, mantínhamos média de público de 8 mil por jogo e faturamento muito inferior. O Palmeiras, como todos os demais times que reduziram o preço, é mais uma prova de que valores mais baixos só melhoram a qualidade do espetáculo e a renda das partidas!

Em relação ao time, o diagnóstico já pode ser feito com segurança: temos uma lacuna grande no setor de armação, o que tem complicado muito a criação de lances claros de gol. Gareca tem nitidamente tentado contornar a falta de qualidade técnica no meio forçando o jogo pelas laterais. As subidas pelos flancos têm sido tentadas insistentemente, mas também não chegam a levar perigo. Chutamos apenas duas vezes em direção ao gol, número pífio para quem atua em casa e precisa desesperadamente somar pontos.

Na defesa, estamos longe ainda de um esquema sólido. A bola chega com muita facilidade dentro da pequena área, e mesmo que Fábio ande sendo responsável por muitos gols que sofremos (como foi também nesta última partida), é preciso reconhecer que em todos os jogos tem também feito defesas fenomenais, nos livrando de placares até elásticos.

Nesta conjuntura toda, ninguém está mais isento de culpa. O time continua sendo de nível mediano para ruim, e o trabalho que Gareca vem tentando implementar até aqui não está dando resultados. Me parece que nosso treinador está se equivocando ao tentar logo de cara apresentar um futebol ofensivo, de toque de bola, talvez por estar ansioso para mostrar um bom trabalho e justificar perante a pedante imprensa local, a vinda de um técnico estrangeiro para o Brasil.

Brunoro diz que fará uma reunião com Gareca nesta semana para discutir o trabalho e os métodos e táticas utilizados, mas já adiantou que uma demissão está fora de cogitação. Nisso o dirigente está absolutamente certo. É preciso que alguém diga a Gareca que o futebol vistoso que já mostrou saber implementar deve ser buscado num segundo momento. Agora, deve-se apenas fechar a casinha, mesmo jogando feio, o importante é não perder, para assim conseguir se distanciar do descenso. Somente quando não estivermos mais correndo tantos riscos poderemos voltar a buscar o que de fato merecemos, que é um time que vai para cima e joga bonito.

Gareca está pecando porque quer agradar muito cedo, quando não tem nem tranquilidade, nem um elenco capaz de dar bons resultados tão rápido. O “bom futebol” já ficou para 2015, agora é hora de parar de tomar gols e procurar aquele golzinho salvador do jeito que der.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O Palmeiras faz 100 anos

Hoje o Palmeiras faz 100 anos. Neste dia, deixa-se o presente de lado, porque é no passado que se busca aquilo que faz de nós o que somos, aquilo que verdadeiramente traduz o orgulho de torcer para um time que vive desde suas origens de superações, arrancas heroicas e guinadas para a vitória, uma agremiação que insiste em tomar os céticos de surpresa. Este é o Palmeiras, e é neste espelho do que somos que nos miramos neste dia.

Não é somente o fato de ser o maior campeão do Brasil que faz o Palmeiras ser o que é. Também não é apenas por ser o único grande a construir e reconstruir seu estádio sem dinheiro público. Há muito mais que singulariza nossa trajetória. 

Em 1942, quando Getúlio Vargas determinou que nenhum time poderia ostentar o nome dos países do Eixo da Segunda Guerra Mundial, fomos obrigados a mudar de Palestra Itália para Sociedade Esportiva Palmeiras, para que pudéssemos entrar em campo na partida final do Campeonato Paulista contra o São Paulo Futebol Clube. 

Entramos com a bandeira brasileira em punho e vencíamos por 3 a 1 um adversário que fez questão de, às vésperas, dizer que derrotaria o inimigo do país, enquanto visava também nos tomar o estádio, utilizando para isso das mais pelegas acusações. Foi quando, após um pênalti que iniciaria a goleada, o São Paulo fugiu do campo, abandonou a partida de forma épica, como se reconhecesse a impossibilidade de bater de frente com o alviverde imponente. As manchetes dos jornais do dia seguinte estamparam, para furor dos que nos viam como “os inimigos”: Palestra Itália “morreu líder, nasceu campeão”.

Fatos como estes, que nos transformaram de inimigo nacional para “Campeoníssimo”, da perda iminente de nossa casa à sua reconstrução completa, de Palestra Itália para Palmeiras, marcam a nossa história, de um clube que por tantas vezes soube se reinventar, que de vencido, mostrou-se sempre campeão. Não será diferente agora, porque 18 milhões de apaixonados jamais deixarão de vibrar e empurrar este time incessantemente de volta ao topo.

O Palmeiras faz 100 anos. Parabéns meu eterno Palestra Itália, parabéns centenário Palmeiras.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Juntando os cacos: o que fazer agora?

Depois de uma atuação tão catastrófica como a que tivemos em Sport 2 x 1 Palmeiras, é difícil até mesmo encontrar ânimo para analisar o que está acontecendo. Se há algumas rodadas víamos um time que, mesmo perdendo, demonstrava evolução jogo a jogo, nas três últimas partidas temos visto atuações dignas de times rebaixados. Contra o Sport, a mediocridade em campo atingiu o ápice, num verdadeiro caos que se transformou o time em campo. Parecia a criançada jogando contra os adultos no churrasco de final de semana, com todo mundo correndo atrás da bola, mas só os adultos ficando com ela no pé.

Refletindo sobre este cenário tétrico, tiro as seguintes conclusões:

1) Apesar de todo o esforço da imprensa em dizer que o Palmeiras tem um time horrível, discordo veementemente. O time não é bom o suficiente para disputar o G4, mas tenho absoluta certeza de que está longe de ser pior do que Botafogo, Flamengo, Chapecoense, e tantos outros que estão tendo desempenho melhor do que nós;

2) Por pior que um time seja, ficar 10 rodadas sem vencer vai além da falta de técnica ou de tática, é preciso que algo mais esteja desestabilizando o elenco para que nunca se consiga ganhar um jogo, nem mesmo num lance fortuito;

3) A diretoria tem seguramente 95% da parcela de culpa pelo desastre que o ano do centenário se tornou, porque brincou com a sorte ao desmontar constantemente o elenco, desde janeiro até agora. A conversa de que “não existe jogador inegociável” dá arrepios, porque obviamente se nunca baterem o pé para que jogadores importantes fiquem, pelo menos em momentos cruciais como no decorrer da temporada, o resultado é um time desfigurado, incapaz de se manter na primeira divisão, na elite do futebol nacional.

Dito isto, o que pode ser feito? Em primeiro lugar, da parte de Nobre, Brunoro e Osmar, já reconhecemos que não dava para terem feito nada pior. Destruíram o time no ano do centenário, ao invés de fortalecer aquele que veio da segunda divisão. Mas e agora?

Como mencionado, um time não fica 10 rodadas sem vencer só porque é fraco. Visto que este time nem tão fraco assim é, fica nítido que há algo além disso acontecendo. Vemos alguns jogadores se matando em campo para concertar os erros de outros. Não há um ataque do adversário que não termine dentro de nossa área. Há jogadores claramente dando espaços ao adversário, e outros que se esforçam muito para que o jogo não vire goleada! O esquema de Gareca, que desde o início começava a aparecer, some neste desastre que os atletas fazem em campo.

Para não cair, portanto, só há um caminho: Brunoro, Nobre, Osmar e Gareca precisarão sentar juntos na mesa antes do próximo jogo, e analisar os VTs das últimas partidas. É preciso identificar quem está fechado com o grupo e quem não está. Mais ainda, Nobre tem a obrigação de olhar para seus “parceiros” políticos e repensar o caminho que está trilhando. Já vimos o filme atual por vários anos, e o final também sabemos decor.

Ou Nobre mostra pulso agora e toma atitudes para tirar as frutas podres do cesto, ou o time inteiro afundará junto.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Prancheta: Atlético-MG 2 x 1 Palmeiras

Contra o Atlético-MG, fora de casa, perdemos por 2 x 1 e amargamos o oitavo jogo seguido sem vitórias no Brasileirão. Curiosamente, como em diversos jogos anteriores, o Palmeiras não foi presa fácil, e principalmente no primeiro tempo apresentou bom ritmo, com ressalvas basicamente no setor defensivo. A impressão que fica é de que o que falta ao time de Gareca é encontrar o ponto de equilíbrio que permita que o mesmo ritmo seja mantido ao longo de toda a partida. Temos oscilado demais entre momentos de toque de bola rápido e envolvente e de apatia completa, em que ninguém acerta mais nada e ficamos sufocados dentro da grande área.

O jogo começou bom para nós. O toque de bola saía com qualidade, Allione mais uma vez se apresentava bem no ataque, e o meio campo mostrava-se insinuante, tentando sempre jogadas agudas pelas laterais. Já o Galo não via muito bem a cor da bola até a metade do primeiro tempo. Parecia que dessa vez o time iria desencantar. Mas não foi o que aconteceu. Se subíamos bem ao ataque, na defesa muitos espaços apareciam quando o adversário conseguia fazer uma tabela. Não era difícil ficar frente a frente com Fábio, que fez ótima partida. Numa dessas desatenções, Diego Tardelli encontrou um pequeno espaço na entrada da área e colocou no ângulo uma bola indefensável. Foi um castigo amargo.

Na segunda etapa, sem alterações, Gareca mandou o time continuar com a pegada do primeiro tempo. Se o toque de bola e as jogadas de habilidade de Allione e Wesley já não saíam mais com tanta facilidade, as subidas dos laterais eram constantes, até que, em um destes cruzamentos, Henrique conseguiu se esticar nas costas de Pierre e colocar a bola para dentro do gol. Um gol merecido pelo que jogamos no primeiro tempo.

Porém, depois do gol aconteceu o que não poderia. Faltou encontrar aquele equilíbrio entre saber que o empate não era um mau resultado, mas que também havia mais de metade da segunda etapa pela frente, e segurar o jogo na defesa até o final seria pedir para acontecer o pior. Gareca errou, tirou Wesley para colocar Josimar, entregando toda iniciativa de jogo para o Atlético-MG. Foi como se parássemos depois do empate: não atacávamos, não tínhamos mais toque de bola e nem nos defendíamos bem. Diversas vezes a bola ficou pingando perigosamente dentro da área, sem ninguém para cortar. Até que, quase aos 40 minutos, aconteceu o que já era possível prever. Uma bola ficou sobrando no meio da área e Dátolo só teve o trabalho de empurrar para dentro.

O campeonato vai passando e nossa campanha torna-se digna de um time que disputará o rebaixamento. Estamos em 14° lugar com 14 pontos, apenas 1 a mais que o Botafogo, primeiro time do Z-4. Após o empate com o Bahia, ficou a impressão de que qualquer adversário deve nos deixar apreensivos, dentro ou fora de casa. Não pode ser assim! É urgente que se encontre o equilíbrio e que Gareca perceba de uma vez por todas que Leandro e Josimar não podem entrar em campo. Além disso, a volta de Valdívia e a chegada de Cristaldo devem melhorar muito nosso poder de fogo. Para completar, nota-se que o time evolui taticamente, mais oscila demais! Se tudo isso se encaixar, o óbvio acontecerá. Esse time, com a estrutura que o Palmeiras proporciona e a qualidade de seu técnico, não deveria ter dificuldades para ficar ao menos no meião da tabela. Por isso, é preciso manter a tranquilidade e continuar o trabalho, que seguramente a equipe começará a progredir.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Cobertura da coletiva para Palmeiras x Fiorentina: Gareca poupará jogadores e Allione estreia

Nesta quarta-feira, Palmeiras e Fiorentina se enfrentam em partida válida pela Copa Euroamericana. Participei da coletiva de imprensa realizada hoje, em São Paulo, na qual falaram Ricardo Gareca e Marcelo Oliveira, do lado do Palmeiras, e o treinador Montella e o goleiro Neto, da Fiorentina. Apresento aqui, resumidamente, as informações divulgadas sobre o evento e as declarações dadas por Gareca a respeito da escalação do time.

Apesar de acontecer em péssimo momento na temporada, a partida não deixa de ser interessante, principalmente porque, como declarou Paulo Nobre, marcará a abertura das comemorações do centenário do Verdão. Em press release, a organização do evento explicou o formato do torneio:

“O esquema de disputa é um dos diferenciais da Copa Euroamericana: definidos os confrontos, os times se enfrentam em jogo único. Em caso de empate, a decisão vai para as penalidades máximas. A vitória concederá um ponto para o continente que a equipe representar - e não para o time. Ou seja, ao final do torneio o título será concedido ao continente que mais pontuar. Em 2013, a Europa bateu as Américas por 6x2. Para este ano, espera-se uma reação dos representantes americanos.”


Durante a entrevista coletiva, Gareca evitou comentar sobre a situação do Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Pediu que as perguntas dirigissem-se propriamente à partida contra a Fiorentina. O técnico declarou que encarará com seriedade o confronto, que considera histórico para os dois clubes. Entretanto, Gareca disse também que não se pode perder o foco do objetivo principal, que é crescer no Brasileiro. Por isso, reconheceu que a equipe, por vir de um jogo difícil contra o Corinthians, terá de ser escalada com os jogadores menos desgastados fisicamente, para que estejam 100% para atuar na partida do final de semana, contra o Bahia.

É um alívio saber que Gareca, assim como nós, sabe que este jogo, por mais que interesse em termos de marketing e do intercâmbio futebolístico, não deve de forma alguma ganhar ares de prioridade. O momento ruim no campeonato nacional exige, além dos aclamados reforços, treinamentos para tentar melhorar com urgência a organização do time. Neste sentido, a partida é muito negativa, pois tomará ao menos um dia de treinos, em uma semana que poderia ser dedicada inteiramente à recuperação de atletas e trabalhos táticos. Felizmente isso também não passou despercebido para Gareca, que já avisou que aproveitará o evento para testar jogadores, indicando inclusive que esta será uma grande oportunidade para a torcida conhecer o futebol de Allione.

Espera-se um grande jogo, mas, ainda bem, poupando nossos titulares para o que verdadeiramente interessa, a recuperação no Campeonato Brasileiro.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Prancheta: Corinthians 2 x 0 Palmeiras

No primeiro derby do Estádio Isentão, fomos derrotados por 2 x 0, sem margem para questionamento algum sobre a justiça do placar. Desta vez nem no segundo tempo jogamos bem, o time ficou recuado durante 90 minutos, teoricamente à espera de um contra-ataque que nunca aconteceu. O adversário, em compensação, em poucos momentos ofereceu espaços, sufocou a saída desde o goleiro Fábio. Sem nenhum jogador mais talentoso para colocar a bola debaixo do braço e organizar o jogo, fomos presa fácil, conhecemos a sexta partida seguida sem vitória neste Brasileirão, e já olhamos muito mais para a parte inferior da tabela do que para o G4.

Os números da partida não ilustram exatamente o que se viu em campo. O Palmeiras incrivelmente teve mais posse de bola (52,8%), mas não sabia exatamente o que fazer com ela. Tivemos ainda 87% de aproveitamento nos passes e 24 dribles aplicados (contra somente 13 do adversário). Porém, as estatísticas se explicam quando olhamos para as finalizações. Enquanto o Corinthians chutou 14 vezes, 9 em direção ao gol, chutamos apenas 7, e somente uma poderia ter se convertido em gol, caso Cássio deixasse passar. Número esdrúxulo, que evidencia que toda a posse de bola, dribles e aproveitamento nos passes aconteceu, na realidade, do meio de campo para trás. Ou seja, no derby, o Palmeiras foi inofensivo.

É surreal que tentem pressionar Gareca pelos resultados ruins em suas três primeiras partidas no Campeonato Brasileiro. Nenhum técnico é contratado para fazer milagres, mas para organizar em campo os jogadores que a diretoria dá a ele. As perguntas da imprensa na coletiva após o jogo, entorno do que Gareca pensa de seu futuro no Palmeiras, são de uma falta de escrúpulos vergonhosa, pois todos conhecem os verdadeiros responsáveis pela fragilidade técnica do time. Nobre e Brunoro estão realizando um desmanche no elenco enquanto a bola está rolando e lutamos contra as adversidades para tentar encontrar um caminho.

Estamos perdendo um jogador atrás do outro, sem nenhuma preocupação se o elenco está ficando capenga. William Matheus, que começava a ter chances como titular só agora, e Juninho, seu reserva, saíram sem que a diretoria congitasse pensar que isso prejudicaria o time. Ficamos apenas com uma aposta da base na lateral esquerda, enquanto na direita, desde janeiro jogamos com um volante improvisado! Valdívia saiu, a bagunça e falta de criatividade no meio campo reinam, sendo denunciada até mesmo por Wesley após a partida contra o Cruzeiro. Henrique é o único centroavante, que veio também como uma aposta, e ninguém está com pressa para trazer alguém para vestir dignamente a 9 e ser titular.

O que quer um time que encara assim, em ritmo de treino, o principal torneio do ano? Acham que o Palmeiras não tem nenhuma obrigação de jogar um bom futebol, ou pensam que rebaixamento não é coisa com que, infelizmente, temos que nos preocupar?

E no meio de toda a bagunça que se tornou 2014, temos um semi-amistoso contra a Fiorentina, na quarta-feira. O time italiano, ainda em pré-temporada, não tem nada com isso, o problema é só do Palmeiras, que brinca com fogo, porque ao invés de aproveitar a semana cheia para treinar mais a equipe, recuperar jogadores e tentar corrigir alguma coisa (na medida do possível), Gareca terá que levar sabe-se lá que time a campo na quarta-feira. Sinceramente, melhor que Gareca não tenha pudores e escale de uma vez a equipe sub-20. Quem sabe pelo menos assim o jogo não serve para descobrir mais um ou dois jogadores que diminuam um pouco a fragilidade técnica do time titular.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Prancheta: Avaí 0 x 2 Palmeiras

Após mais um primeiro tempo muito instável, o Palmeiras conseguiu sair com um excelente resultado no Estádio da Ressacada, em Santa Catarina. Poupando mais da metade do time titular, vencemos por 2 x 0 o Avaí, na partida de ida da Copa do Brasil. Gareca novamente teve que arrumar a equipe no vestiário, fazendo com que na segunda etapa, a exemplo do que aconteceu contra o Cruzeiro, o Palmeiras não deixasse o adversário ver a cor da bola. Agora podemos perder por até dois gols de diferença na partida de volta, no Pacaembu, que avançamos na competição.

A primeira etapa foi marcada pela displicência e falta de qualidade no toque de bola. O time se movimentava pouco, facilitando a marcação do Avaí. Ao mesmo tempo, jogadores que deveriam colocar a bola no chão pelo meio, como Wesley e Josimar, insistiam em tentar lançamentos longos. O resultado foi que na partida o Palmeiras fez 41 lançamentos, mas teve apenas 40% de aproveitamento.

Gareca, ainda no início da segunda etapa, percebeu a inoperância de Leandro, que desde a volta da Copa do Mundo não fez nem 10 minutos de bom jogo. Colocou Bruno César em seu lugar, e com isso a troca de passes pelo meio ficou mais rápida e os espaços na defesa do Avaí, inexistentes na primeira etapa, apareceram. Felipe Menezes, que já vinha fazendo uma boa partida, marcou um golaço quando o Palmeiras começava a crescer em campo. Recebeu na meia cancha, conduziu a bola, limpou dois marcadores e bateu com perfeição no ângulo direito do goleiro Renan. Já tínhamos visto Felipe Menezes marcar um golaço desses em treinos, finalmente desencantou para valer! Mas para completar a noite, poucos minutos depois Felipe Menezes marcou o segundo, aproveitando grande enfiada de bola de Josimar (que fazia partida péssima na proteção da zaga) e colocou no canto esquerdo, mais uma vez indefensável para o goleiro. Jogando dessa forma Felipe Menezes vira uma grata opção para o meio de campo palmeirense.

A vitória foi importante não só porque dá muita tranquilidade para classificação no jogo de volta, mas por também colocar fim na pressão injustificável que a imprensa começava a colocar sobre Gareca. O time vem numa crescente taticamente. A compactação na marcação e saída de bola melhora a cada partida. Até mesmo hoje, quando esperava-se uma equipe muito desentrosada (visto que 9 jogadores usualmente relacionados foram poupados ou estavam lesionados), a partir de certo momento a bola começou a fluir de pé em pé. Porém, tecnicamente, continuamos dependendo de reforços. Jogadores conhecidamente “limitados”, como Josimar e Weldinho, quase comprometeram a partida com erros de passes perigosíssimos e inaceitáveis.

De toda forma, hoje importa mesmo que vencemos, poupamos boa parte do time titular, e ainda ganhamos uma injeção de moral necessária antes do jogo de domingo! Uma vitória no primeiro clássico do Estádio Isentão fecharia com chave de ouro esta semana.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Mais reforços e um pouco sobre Agustin Allione

Pouco a pouco, antes tarde do que mais tarde, o elenco está sendo reforçado. Há urgência neste momento, visto que ninguém sai ileso da perda dos dois principais jogadores da equipe (Valdívia e Kardec), no meio da temporada e sem que ninguém venha suprir suas vagas. Os últimos resultados em campo estão diretamente ligados à falta de peças de qualidade nestes setores. Infelizmente, os reforços trazidos até o momento não preenchem as lacunas, porque nem ao menos jogam na mesma posição. De qualquer forma, o plantel era tão limitado, que mesmo nos setores em que já havia atletas, a vinda de jogadores qualificados é mais do que bem-vinda.

A cada dia mais sul-americano, o time pode começar a encorpar. Nas últimas semanas chegaram o zagueiro Tobio e o atacante Mouche, bons jogadores, e as últimas informações dão conta de que outro argentino já está acertado. Trata-se do jovem e polivalente volante, Agustin Allione, que deve se apresentar na próxima quinta-feira para realização dos exames médicos e assinatura do contrato.

O jornalista argentino Joan Bazquez, do Olé, assim definiu Allione:

“A principal característica do Allione é a velocidade, porque ele é muito ligeiro pelos lados do campo. Joga tanto pela direita quanto pela esquerda e fez uma pré-temporada muito boa com o Vélez no meio do ano, com belas atuações nos amistosos. Pelo estilo de jogo, tem muita técnica e condição de realizar cruzamentos, e costuma fazê-los com qualidade. É promissor. No Vélez é conhecido como o novo Augusto Fernández (meia que esteve na Copa do Mundo com a vice-campeã Argentina). Teve a primeira oportunidade de jogar no time principal com Gareca, que sempre gostou dele e o incluía nas suas opções. Por outro lado, a principal carência é a parte física, a falta de corpulência. A equipe não pode contar com ele em jogadas aéreas. Fora de campo, tem perfil muito tranquilo, não se expõe, mas sempre disposto a ajudar”.

No vídeo abaixo você pode conferir os melhores momentos de Allione.



Por cerca de 6 milhões de reais, trata-se de uma aposta muito válida, ainda que em uma das posições mais recheadas do elenco. Se sua vinda não estiver ligada a uma reposição antecipada de Wesley, que com altos salários é constantemente especulado para venda, pode formar com este atleta uma grande dupla de volantes ofensivos no meio campo palmeirense.

Como se sabe, Gareca (como grande parte dos treinadores argentinos) gosta de escalar o time com um losango no meio, atuando com um volante de contenção, dois que sobem pelos lados e um meia armador mais adiantado. Este losango teria Renato como primeiro volante, e Wesley e Allione na saída de bola. A lacuna da camisa 10 seria o X da questão neste esquema promissor. Bruno César não possui características de armador, mas acredito que tem que ter um lugar nesse time, talvez até mesmo ao lado do centroavante. Chuta muito bem e, com uma sequência de jogos, deve voltar a ter velocidade e qualidade nos passes curtos. Merece crédito com Gareca.

Após a saída de Valdívia, a bola da vez para vestir a 10 é o meia argentino, Maxi Moralez, atualmente no atalanta (ITA). Já para camisa 9, Lucas Pratto, do Velez, ou Facundo Ferreyra, do Shaktar Donetsky (UCR) são especulados, mas o ritmo em que as negociações estão andando para as duas posições mais carentes do elenco chega a ser desesperador.

Este é o momento em que dirigentes comprometidos com o desempenho do time têm que chamar a responsabilidade, colocar a faca entre os dentes e ir de forma mais agressiva ao mercado. Ainda dá para salvar esta temporada, basta preencher com qualidade as lacunas que todos conhecemos. O esquema tático de Gareca está ganhando forma e mesmo sem vitórias é elogiado até na grande mídia. Só precisa desse empurrão. Agora é com você, Nobre!

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Prancheta: Palmeiras 1 x 2 Cruzeiro

Jogando em casa, o Palmeiras foi derrotado em 10 minutos pelo líder do campeonato, que rapidamente fez dois gols, aproveitando-se do nervosismo de um time que ainda tenta encontrar uma forma ideal de jogar. Depois disso a equipe mineira imaginou que a partida já estava ganha, enquanto do nosso lado o time encorpou a partir da lesão de Eguren e entrada de Felipe Menezes. Colocou a bola no chão e, pode-se dizer, fez com que o Cruzeiro mal visse a cor da bola até o final do jogo. O resultado foi injusto diante da forma como o Palmeiras conseguiu se impor sobre o melhor time do Brasileirão. Porém, já dizia o adágio, “justiça no futebol é bola na rede”. E nesse quesito, levamos 2 e só conseguimos guardar 1.

As estatísticas da partida ilustram bem a boa postura do time em “quase” todo o prélio. Com 55,8% de posse de bola, dominamos as iniciativas. Também finalizamos muito mais, com 15 tentos a gol, ainda que só 4 deles com endereço certo. Já o Cruzeiro chutou apenas 7 vezes, porém 5 delas foram no gol. Aproveitamento bem superior. A tentativa de levantar bolas na área foi característica do time de Gareca na partida. Foram 23 centros, 13 deles encontrando um atacante para finalizar.

A partida também foi marcada pela boa estreia de Mouche, que entrou no segundo tempo no lugar de Leandro, que fazia mais uma partida abaixo da crítica, e pelo primeiro gol de Tobio, que na raça ganhou na trombada a dividida no escanteio, escorando a bola com o bico da chuteira e tirando do goleiro Fábio.

Os aplausos da torcida no fim do jogo não foram por acaso. O Palmeiras teve grandes méritos, pois com 10 minutos e a ameaça de levar uma goleada teve a competência para se recompor e dominar um grande adversário. Faltou pouco para ao menos sair com um empate. O time pagou caro por ainda não ter aprendido a se impor desta forma desde o início.

As conclusões tiradas da partida anterior foram apenas reforçadas após este jogo. O trabalho de Gareca está em desenvolvimento e precisa de tempo. Paciência é essencial para que os frutos venham, talvez somente em 2015, o que seria até natural, dado que o treinador já pegou o bonde andando e caindo pelas tabelas em 2014. Por outro lado, cabe à diretoria buscar ainda nesta semana reforços que mereçam vestir a camisa 10 e a camisa 9. A falta de planejamento no ano do centenário foi terrível, e pagaremos ficando de fora da disputa dos títulos em mais uma temporada. Porém, se restar em Nobre um pouco de preocupação com o que acontece em campo, é possível ainda correr para lutar ao menos pela vaga na Libertadores.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Prancheta: Santos 2 x 0 Palmeiras


Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/ Divulgação
No jogo de retorno do Campeonato Brasileiro e estreia do novo técnico, Ricardo Gareca, o Palmeiras teve desempenho apenas razoável na derrota por 2 x 0 para o Santos. O que vimos em campo deixou claro que, permanecendo este o elenco, deveremos terminar o ano mais ou menos no lugar em que estamos, da metade para baixo da tabela.

Mas não é porque saímos com uma derrota até contundente no “clássico”, que tudo o que vimos foi ruim. Na realidade, apesar dos dois gols sofridos em falhas da marcação, foi possível perceber um time que começa a apresentar uma defesa bem armada, com as linhas de defensores e de meio campo bem compactadas. O Santos tinha dificuldades para conseguir a infiltração, sendo obrigado a girar a bola fora da grande área, a procura de algum espaço.

Por outro lado, o mesmo não pode ser dito a respeito do ataque. Do meio para frente o time foi muito mal, não conseguindo criar nenhum lance claro de gol ao longo de toda a partida. Leandro, em noite lamentável, tropeçava na bola e fazia com que as grandes oportunidades de contra-ataque terminassem em seus pés. Wesley, o jogador com maior tempo de posse de bola na partida (só ele teve 10% do total de posse no jogo!), errava muitos passes, dificultando a subida ao ataque. Bruno César, que herdou a dura missão de substituir Valdívia, não conseguiu se encontrar na partida. Por fim, Wendel, o eterno coringa da lateral direita, foi o jogador que mais errou passes no confronto, com 16 tentativas frustradas. Ou seja, com tantos erros individuais, fica difícil ir a algum lugar.

Os destaques positivos na partida ficaram por conta de dois estreantes. O zagueiro Tobio, recém contratado, fez partida discreta, mas segura. Erik, centroavante trazido da base por Gareca, entrou no segundo tempo e não decepcionou, dentro das limitações que o time todo apresentava no jogo. Tentou imprimir velocidade nos contra-ataques e ainda conseguiu uma boa finalização ao gol (importante ressaltar que o time chutou apenas quatro vezes no gol), batendo sem ângulo na corrida. Aranha deu rebote nos pés de Leandro, que mais uma vez se atrapalhou com a bola e não conseguiu fazer nada.

Tenho excelentes expectativas com as propostas de Gareca, e o esboço de seu trabalho que pudemos observar sugeriu que o novo treinador está no caminho para montar uma equipe taticamente bem organizada. Porém, ficou muito evidente a limitação imposta pelo elenco. A saída de Valdívia neste momento era tão esperada, mas tão esperada, que mais uma vez a diretoria merece críticas duras não por sua venda, mas por não ter engatilhado uma grande contratação para suprir o peso e a importância da camisa 10. O espaço deixado na folha de pagamento pelo gordo salário do chileno não deve ser visto como uma economia para o clube, mas como carta na manga para trazer um substituto à altura. Além disso, Nobre e Brunoro mais uma vez desperdiçaram uma pausa longa na temporada para contratar jogadores nas duas posições a mais tempo carentes: um lateral-direito e um centroavante. Desde o início de 2014 estas lacunas são apontadas, e com a doação de Kardec o problema só aumentou. Mas parece que para nossos comandantes, montar um elenco competitivo é questão secundária.

A lição tirada da partida de ontem foi contundente: sem reforçar o elenco, não temos nenhuma chance de passar da metade da tabela. Falta qualidade, reposição e opções em muitos setores essenciais (camisa 10, lateral direita e centroavante). A permanecer tudo como está, teremos que aguardar 2015 para que o trabalho de Gareca possa realmente dar resultados.

terça-feira, 15 de julho de 2014

O maior legado da Copa

Chegou ao fim a Copa do Mundo. Belíssima em campo, bem organizada, polêmica nos bastidores, e com um balde de água fria sobre o futebol praticado no “País do Futebol”. Para além dos lindos elefantinhos, que a partir de agora descansam tranquilamente nos mais belos rincões do Brasil, o legado desta Copa é enorme. Não me refiro a um legado material, nem às lições a serem tiradas de nossos vexames em campo. Trata-se de um legado deixado às avessas, principalmente para aqueles que ferrenhamente defendem seu monopólio sobre o esporte mais popular do país.

Menos óbvio e pouco comentado na mídia, o evento serviu para desmistificar a noção cômoda e muito cara às partes interessadas - detentoras dos direitos sobre a transmissão do futebol brasileiro e a instituição organizadora dos campeonatos (não é preciso citar nomes) – de que “não é da cultura do brasileiro ir ao estádio”. Aos torcedores assíduos, peço que neste momento deixem de lado a crítica ao perfil “coxinha” daqueles que precisaram de uma Copa do Mundo para ir pela primeira vez a um estádio. Interessa neste momento frisar que apenas 30% dos ingressos foram vendidos fora do país, e tivemos lotação em média de 98% nos jogos. Como isso foi possível? Qual foi o estímulo novo que levou tanto os torcedores contumazes, quanto entusiastas e até “paraquedistas” a desejarem ir ao estádio, mesmo com os salgados preços dos ingressos?

A qualidade do evento. E qualidade, num torneio de futebol, diz respeito às seguintes esferas: nível técnico dos times, interesse produzido pelo formato do campeonato e facilidade de acesso aos jogos. São estes três quesitos que estimulam desde o torcedor strictu sensu, até o cidadão comum que procura qualquer evento para diversão, a comprar um ingresso.

Inesperadamente, a Copa demonstrou que a teoria de que “não é nossa cultura ir ao estádio” é uma falácia. Há fome de futebol, mas o produto oferecido por aqui é dos mais maltratados. Campeonatos são sistematicamente mal planejados, levando à conclusão de que sejam assim intencionalmente.

Por que? Quem, em sã consciência, deseja organizar e transmitir um evento em que quase tudo acontece ao mesmo tempo? A quem interessa que os grandes jogos aconteçam apenas “depois da novela”? Certamente não é ao torcedor, nem a ninguém que queira ver o futebol brasileiro valorizado, com campeonatos que sejam grandes eventos esportivos, para dar gosto programar-se para ir aos jogos e acompanhar pela tv, nos demais dias, às partidas dos adversários.

O monopólio não permite que jogos sejam espalhados, como na Copa do Mundo e no Campeonato Inglês, ao longo de toda a semana, com partidas de segunda a domingo, em horários que facilitem a ida de qualquer tipo de público ao estádio. Ao contrário, concentram-se majoritariamente em dois dias da semana (quartas e domingos), quase todos no mesmo horário, e apenas dois canais (de uma mesma emissora) definem quais poderão ser transmitidos. Como resultado disso, não é possível, nem mesmo com pay-per-view, assistir a todos os jogos do campeonato, ao contrário do que uma Copa do Mundo ou qualquer torneio bem organizado e não monopolizado permite.

Em poucas palavras, para todos os que hoje “cuidam” do futebol brasileiro, o futebol está em segundo plano, é apenas um meio para tentar vender "o resto".

O maior legado da Copa não são os estádios, não foi o 7 x 1, nem o futebol bem jogado pela Alemanha. O maior de todos foi a prova empírica de que não existe nenhuma “cultura nacional” que justifique o declínio do futebol brasileiro. O que existe é o interesse de uma minoria em um modelo que é o verdadeiro entrave para o pleno crescimento deste esporte que, apesar de todos os pesares, continua sendo o mais popular do país.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Prancheta: Grêmio 0 x 0 Palmeiras


Contra o Grêmio mais uma vez jogamos bem e saímos prejudicados pela arbitragem. A diferença em relação à partida anterior é que desta vez ao menos saímos com um empate em 0 x 0, fora de casa. Não fossem os erros da arbitragem poderíamos estar com 3 pontos a mais (com um empate contra o Botafogo e a vitória contra o Grêmio), e consequentemente, dentro do G4.

O time dirigido por Alberto Valentin parece ter incorporado uma característica interessante, primando pela posse de bola e pelo jogo concentrado nas laterais do campo. Tivemos 55% de posse, mesmo jogando na casa do adversário, trocando 280 passes, com 85% de aproveitamento. Reflexo deste jogo apoiado nas extremidades do campo é o alto número de cruzamentos. Foram 15 centros, mas apenas 2 deles conseguiram encontrar um atacante dentro da área. Aproveitamento muito baixo para quem quer explorar este tipo de jogada.

Também finalizamos bastante na partida, com 15 arremates, 8 deles com endereço certo. Neste quesito, Felipe Menezes, que fez partida razoável na tarde de ontem, liderou o ranking, com 3 chutes certos no gol. Outro que se destacou foi Lúcio, ganhando quase todas as bolas e liderando as estatísticas do confronto no quesito desarmes. Foram 9 ataques adversários interceptados pelo xerife palmeirense.

O time não fez uma atuação primorosa, mas teríamos saído com uma importante vitória, não fosse pelo erro crucial do bandeira, Adson Marcio Lopes Leal, que marcou impedimento inexistente no gol de Diogo. O time se impôs (muito mais no segundo tempo do que no primeiro) na casa do adversário, mas é evidente a falta de opções no elenco para acrescentar qualidade ao domínio do jogo.

Esta foi a última partida de Alberto Valentin, que passa o Palmeiras a Gareca na 10ª posição na tabela, a três pontos do G4 e a seis do líder do campeonato. Isto significa que com a colaboração da diretoria trazendo reforços importantes, e com um trabalho bem feito de preparação neste um mês de pausa da Copa do Mundo, dá para voltar na briga no mínimo pela vaga na Libertadores!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Valdívia e Wesley não saem após a Copa do Mundo

Após a Copa do Mundo, nem Valdívia nem Wesley serão vendidos. Quem afirma é Brunoro, CEO da Sociedade Esportiva Palmeiras, em sua participação no programa Bola Dividida, da Redetv (o link para a entrevista você encontra no final deste post). Se ele mesmo põe fé no que disse, é outra história.

O que acontece é que somadas as dívidas da contratação dos dois atletas (nenhuma das duas sequer próxima de ser quitada), há ainda mais de 60 milhões de reais a serem pagos no curto prazo. Mas o maior agravante é que Wesley tem pouco mais de 6 meses de contrato, enquanto Valdívia tem aproximadamente 12 meses. Qualquer jogador com menos de 6 meses de vínculo com um clube pode assinar um pré-contrato com outra equipe. Isso é o que faz 9 em cada 10 palmeirenses duvidarem de que ambos não serão vendidos muito em breve.

Trata-se de uma bomba relógio prestes a explodir. Vender os dois por qualquer proposta acima de 15 milhões de reais dificilmente não seduzirá Nobre e seus zelosos “conselheiros”, que já nos fizeram perder Barcos, Henrique e Kardec em pouco mais de 1 ano, em todos os casos por dívidas com valores muito inferiores aos de Wesley e Valdívia.

Mas então o que levaria Brunoro a fazer tal afirmação, assim, gratuitamente? 

Só posso esperar que seja porque finalmente caiu a ficha que, por mais caro que venha a custar a manutenção destes dois jogadores no elenco, maior será o prejuízo dentro de campo se saírem. Está claro para todos que o elenco atual enfrenta sérias dificuldades no Campeonato Brasileiro, disputando de igual para igual partidas contra todos os candidatos ao rebaixamento. É apenas graças a uma inesperada sequência de três vitórias (duas delas conquistadas com uma dose descomunal de sorte) que não estamos outra vez em situação deprimente na tabela. Mas as atuações do time têm sido sofríveis, a ponto dos últimos revezes, contra duas das piores equipes da competição, não terem pego ninguém de surpresa.

Sendo Wesley e Valdívia os dois jogadores mais habilidosos dentro deste elenco, e ainda mais importante, por serem os únicos articuladores do time, é impensável perdê-los neste momento.

Resta, portanto, uma opção para a dívida não explodir, e ao mesmo tempo não despencarmos na tabela: estender os contratos de ambos e mantê-los no time ao menos até o final desta temporada. Para 2015 pode-se voltar a pensar em reformulação de elenco. Na atual conjuntura, a única coisa que se pode pensar é em reforçar o pouco que temos.

Que a diretoria tenha se conscientizado disso é a única explicação para me fazer acreditar de verdade nas palavras de Brunoro.